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Em plena expansão, fonte já soma 1,5% da matriz elétrica no País

Por Andrea Vialli

O Brasil ultrapassou em abril a marca de 5 gigawatts (GW) de potência instalada em energia solar fotovoltaica, o que inclui as usinas de grande porte (geração centralizada, com 2,68 GW) e sistemas de pequeno e médio portes instalados em empresas e residências (geração distribuída). Nessa modalidade, que soma 2,42 GW, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo lideram o ranking dos estados com maior potência operacional.

Em plena expansão, a energia fotovoltaica já soma 1,5% da matriz elétrica do Brasil. A fonte se mostra resiliente à retração econômica causada pela epidemia da Covid-19 e em condições de ser uma atividade importante no período de recuperação após a pandemia. Os investimentos totais previstos até 2025 são de R$25,8 bilhões, apenas em projetos já contratados em leilões de energia. Atualmente, as usinas solares de grande porte representam a sétima maior fonte de geração do país, com 92 empreendimentos em operação em nove estados.

“É um fato a ser comemorado: em plena crise gerada pelo coronavírus, a energia fotovoltaica alcança crescimento operacional e deve fechar o ano com 8,5 GW de potência instalada”, diz Bárbara Rubim, CEO da Bright Strategies, consultoria especializada em energia solar. Não que o segmento não tenha sido afetado, mas tem se mostrado resiliente aos obstáculos, na avaliação da consultora.

O primeiro impacto no segmento ocorreu quando a epidemia de Covid-19 atingiu a China e afetou a produção de módulos fotovoltaicos – mas com o produto em estoque, o setor no Brasil teve êxito em controlar a adversidade. O segundo impacto veio com a chegada da epidemia no país, que trouxe comprometimento da renda de muitos consumidores, que postergaram o investimento em sistemas de geração distribuída.

O terceiro obstáculo é a valorização da moeda americana, hoje cotada acima de R$ 5, que impacta diretamente os custos de importação dos módulos fotovoltaicos e outros insumos. A suspensão de novos leilões de energia solar pelo governo, ainda sem previsão para retomada, também afeta as empresas do setor – em 2019, a fonte foi a mais competitiva entre as renováveis nos dois leilões de energia nova realizados, com preços médios abaixo de US$ 21 por MWh.

Rubim estima que a perda de postos de trabalho na energia fotovoltaica será irrisória, uma vez que empresários do ramo abraçaram o “Não Demita”, um movimento orgânico que visa preservar empregos durante a crise do coronavírus. Entre 2012 e 2019, o setor fotovoltaico gerou 130 mil empregos no Brasil e poderá ser um impulsionador da retomada econômica pós-pandemia. “A energia fotovoltaica poderá ter um papel importante na recuperação, por ser um segmento robusto e com forte potencial de atração de investimentos”, diz Rubim.

Para Rodrigo Sauaia, CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a expansão da fonte já contribuiu para o crescimento econômico nas crises de 2015 e 2016: enquanto o PIB caiu 3,5% ao ano, o setor fotovoltaico cresceu mais de 300% ao ano. “Agora, passada a fase mais aguda da atual pandemia, a energia solar fotovoltaica irá novamente alavancar a recuperação do Brasil”, afirma.

 

FONTE: Portal Solar

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